1852: Romeike funda a primeira empresa de media intelligence, em Londres
1879: Alfred Cherie funda a L’Argus de la presse, em Paris
Quando fiz a minha primeira formação em inteligência competitiva, em 2006, com o Ben Gilad, estudámos muitos casos de Harvard sobre empresas que não conseguiram manter a liderança nos seus mercados. De uma forma ou de outra, produtos disruptivos ou substitutos acabaram por ganhar a batalha. O caso Kodak Vs Poloroid – e a maior “penalização” da história dos negócios – é o principal exemplo. Nokia e Digital são também bons casos.
Comecei a trabalhar em media intelligence em 1994. Não havia internet, não havia bases de dados e grande parte do trabalho implicava escrita manual.
O mercado de media intelligence seguiu o seu próprio caminho, desenvolvendo nova tecnologia, investindo em inovação e mantendo-se próximo dos maiores players tecnológicos. A apresentação do VP da IBM para o Watson, há 5 anos, no congresso da FIBEP em Viena, é apenas um exemplo, mas ainda mais relevante é a FIBEP Tech Trade Show, realizada há muitos anos, que juntava empresas e empresas de tecnologia que desenvolviam soluções específicas para o mercado de media intelligence.
No entanto, apesar da boa evolução do mercado, quando as redes sociais começaram a explodir surgiram muitas novas empresas, que investiram quantias enormes para conseguir lidar com volumes massivos de dados. Todos estes novos entrantes, mais focados no crescimento do que na sustentabilidade, não demoraram muito a entrar também no espaço da media intelligence.
Se o Google foi a primeira grande ameaça ao mercado de media intelligence – oferecendo aquilo que muitos consideravam ser um produto substituto –, as empresas de social media listening foram a primeira grande ameaça com que a media intelligence teve realmente de lidar.
Dito isto, no início todos estavam muito expectantes sobre como esta tendência iria afetar o setor. Durante anos, as empresas de social media listening tentaram ocupar todo o espaço oferecendo serviços de media intelligence – inicialmente através de algumas parcerias com empresas de media intelligence, mais tarde integrando conteúdos de media intelligence nas suas próprias plataformas – e, a certa altura, o futuro era bastante incerto.
Conseguiriam estas empresas, com toda a tecnologia e capacidade financeira para investir no crescimento, assumir o controlo do mercado? A resposta, hoje, é não. Não por demérito delas, mas porque as empresas de media intelligence estavam suficientemente desenvolvidas para dar uma resposta adequada. É importante lembrar que o negócio de media intelligence começou no século XIX e que, há 20 anos, 100% das empresas de media intelligence, em todo o mundo, eram empresas familiares.
É por isso que todos os players deste mercado devem sentir muito orgulho quando ouvimos, todos os meses, que uma empresa de media intelligence adquiriu mais um player de social media ou que uma empresa de media intelligence desenvolveu a sua própria solução de social media.
Não apenas porque as empresas de media intelligence souberam manter-se um passo à frente, mas porque fizeram um profundo processo de reestruturação – de gestão familiar para gestão profissional – que permitiu este “happy ending” – até agora. Parabéns.